Explica melhor!

Física, matemática e robótica.


Escola e religião

Para quem vive de números, resoluções exatas, precisão e pensamento abstrato, falar da alma gera um certo desconforto. Há uma segurança no gráfico. A resposta certa traz tranquilidade. A “certeza” pode suavizar em muito uma existência. Quem dera!

Mas é quando as perguntas continuam a ser feitas, que a alma se angustia. Num dado momento temos que admitir que não sabemos realmente muita coisa. Que nosso lugar no universo pode ser obra do mero acaso. E então podemos tomar a decisão de crer! Deve haver algo maior, algo que me foge à compreensão e por isso não consigo enxergar. Mas se estou aqui, então devo fazer parte desse todo. Há algum motivo para mim. Quem dera!

O cientista se apoia em evidências e fatos. Cerca um problema por todos os lados até compreendê-lo o mais detalhadamente possível. Cria um modelo que reproduz o mais fielmente possível seu comportamento. Apenas isto: modela a natureza. Alguns, depois de um tempo, chegam a realmente acreditar no modelo. Outros, a meu ver mais sensatos, reconhecem que estão olhando para a maquete e não para o prédio.

É neste ponto que acredito que algumas pessoas se enganam ao colocar ciência e religião em lados opostos de uma falsa briga. A ciência não existe para esclarecer a religião e esta não existe para explicar aquela. Ciência existe para investigar a natureza. É fruto da curiosidade do homem. Religião existe por uma questão de humanidade, pois onde houver homens haverá crenças.

E a escola? Qual seu papel? Acredito que é no seio da escola que as diferentes formas da manifestação religiosa devem ser estudadas. Estudadas! Uma formação completa passa pela reflexão sobre os aspectos complexos da natureza humana, pois vemos o mundo semeado de conflitos surgidos da intolerância e do radicalismo.

Não se trata de doutrinar, mas de fazer compreender que o sentimento religioso pode ser expresso de diferentes formas e é direito do homem expressá-lo, desde que não ofenda os seus iguais. Isso deve culminar no respeito mútuo pela religiosidade que cada homem pode ter.

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